Por: Ciro Magalhães;
O que já era presumido pelo meio político começa agora a ser sentido na prática: o eleitor médio brasileiro ainda não está, de fato, com a cabeça nas eleições de outubro.
A Copa do Mundo de 2026, disputada entre junho e julho, funciona como uma barreira natural à atenção do eleitor. Enquanto o torneio não terminar, a disputa eleitoral tende a permanecer em segundo plano para grande parte da população — especialmente para aquele eleitor que não acompanha política no dia a dia e que, neste momento, sequer sabe em quem vai votar.
O desafio é ainda maior do que em ciclos anteriores. Neste ano, os brasileiros precisarão escolher presidente da República, dois senadores, governador, deputado federal e deputado estadual. São muitas decisões simultâneas para um eleitorado que ainda nem começou a prestar atenção no processo eleitoral.
Isso não significa que as pesquisas realizadas até aqui não tenham valor. Elas refletem uma realidade, captando tendências, níveis de rejeição e preferências de quem já possui opinião formada. O problema é que representam apenas um retrato parcial de um filme que ainda está longe do fim.
Em poucos meses, o cenário pode ser completamente diferente. Alianças serão formadas, escândalos podem surgir, candidaturas ganharão força e outras perderão fôlego. Em vários estados, reviravoltas são não apenas possíveis, mas bastante prováveis.
O recado, portanto, vale para todos os lados: nenhum candidato pode se dar ao luxo de relaxar diante de números favoráveis — nem aqueles que lideram as pesquisas, nem os que ainda buscam espaço. A eleição de 2026 só começará para valer depois do apito final da Copa do Mundo.



