Prefeito é cassado após sessão de 12 horas e cidade mineira vive reviravolta política

Prefeito Coronel Sandro

Por 18 votos, a Câmara Municipal cassou o mandato do prefeito de Governador Valadares, Coronel Sandro (PL). Pela primeira vez na história da cidade, um prefeito perdeu o cargo por decisão do Legislativo municipal. A sessão extraordinária aconteceu na noite desta quinta-feira (15), durou cerca de 12 horas e terminou com 18 votos favoráveis à cassação e apenas 3 contrários.

Com a decisão, o vice-prefeito José Bonifácio Mourão (PL) assumiu o comando da prefeitura. A posse oficial foi realizada nesta sexta-feira (16), às 10h, no plenário da Câmara Municipal, onde o novo prefeito prestou juramento.

No discurso de posse, Mourão destacou a importância da união institucional e afirmou que pretende trabalhar em conjunto com a Câmara e a sociedade.

“Essa cidade precisa de um reencontro consigo mesma. Nenhuma crise é maior do que a força do nosso povo. Tive a honra de administrar essa cidade por oito anos. Conheço suas dificuldades e desafios, mas também sua grande capacidade de se reerguer”, declarou.

Conheça Mourão

Natural de Sabinópolis, José Bonifácio Mourão nasceu em 14 de maio de 1940 e é advogado formado pela Universidade Federal de Minas Gerais. Antes de entrar na política, atuou como advogado, professor e assessor jurídico.

Sua trajetória política começou na década de 1980 como vice-prefeito de Governador Valadares. Mourão foi deputado estadual em diferentes períodos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e ganhou destaque por ser relator da Constituição Mineira de 1989. Também comandou a Prefeitura de Governador Valadares em dois períodos: de 1997 a 2000 e entre 2005 e 2008.

Entre 2009 e 2010, atuou como subsecretário de Estado de Obras Públicas nos governos de Aécio Neves e Antonio Anastasia. Depois, foi líder de governo na Assembleia Legislativa entre 2012 e 2014.

Em 2024, foi eleito vice-prefeito na chapa de Coronel Sandro. Agora, com a cassação aprovada, assume novamente a Prefeitura de Governador Valadares.

Denúncia, investigação e processo de impeachment

O processo de impeachment teve origem em denúncias relacionadas ao transporte escolar do município. Os vereadores analisaram três infrações político-administrativas atribuídas ao então prefeito: contratação irregular do serviço sem licitação tradicional, omissão diante de suposto sobrepreço e falhas no planejamento do contrato, além de atos considerados incompatíveis com a dignidade e o decoro do cargo.

De acordo com o denunciante, o empresário do setor de transportes Fabiano Márcio da Silva, a Prefeitura de Governador Valadares teria utilizado um modelo de credenciamento considerado inadequado para a contratação do transporte escolar.

Os vereadores também apontaram suspeitas de sobrepreço e aumento no número de quilômetros rodados pelos ônibus escolares sem justificativa técnica. As três infrações analisadas — contratação irregular, omissão e falhas de pagamento — tiveram o mesmo resultado: 18 votos favoráveis à cassação e 3 contrários.

Saiba como cada vereador votou

Votaram a favor da cassação os vereadores Alê Ferraz (Novo), Amaral do Povo (Avante), Betão do Porto (União Brasil), Dandan Cesário (União Brasil), Fernanda Braz (DC), Geisa Luana (PP), Gilsa Santos (PT), Igor Costa (União Brasil), Igor Erick (Mobiliza), Jackes Keller (PMB), Jamir Calili (PP), Kátia do Betinho Detetive (PSDB), Ley do Mãe de Deus (PMB), Roncali da Farmácia (PRD), Sandra Perpétuo (PT), Valdivino Lima (Avante), Waguinho (DC) e Will Sirlei (PL).

Já os vereadores Ademar do Turmalina (MDB), Jepherson Madureira (Republicanos) e Ulysses Gomes (Republicanos) votaram contra a cassação.

Com a cassação concluída e a posse de Mourão oficializada, Governador Valadares passa a ter um novo comando no Executivo municipal em meio à maior crise política recente da cidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *