Envolvido em suposta corrupção, João Caldas lança presidenciável com discurso anticorrupção

João Caldas e Joaquim Barbosa

Por: Ciro Magalhães;

O presidente nacional do Democracia Cristã (DC-27), João Caldas, surpreendeu o cenário político ao descartar a pré-candidatura de Aldo Rebelo à Presidência da República e expulsá-lo do partido, substituindo-o pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. A movimentação, no entanto, carrega uma contradição difícil de ignorar.

Joaquim Barbosa notabilizou-se nacionalmente por atuar como relator do julgamento do escândalo do Mensalão, caso que resultou na condenação de figuras de peso da política brasileira. Sua eventual candidatura seria ancorada em um discurso anticorrupção, com o objetivo de atrair eleitores insatisfeitos com a polarização entre Lula e Bolsonaro.

O problema está em quem assina o convite. João Caldas da Silva, responsável por lançar Barbosa na disputa eleitoral, foi ele próprio condenado criminalmente no âmbito da chamada Máfia das Sanguessugas — esquema descoberto em 2006 pelo Ministério Público Federal, que revelou fraudes em licitações para a compra de ambulâncias com recursos provenientes de emendas parlamentares. Caldas foi condenado a dois anos e nove meses de reclusão, além do pagamento de 87 dias-multa, em regime aberto, pelo recebimento de suposta propina de R$ 6 mil. A pena foi posteriormente substituída por medidas restritivas de direitos.

A ironia é evidente: a candidatura que promete combater a corrupção nasce sob a liderança de um dirigente partidário condenado em um dos mais conhecidos escândalos de corrupção da política brasileira.

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