Por: João Victor Martins;
Mesmo com sua relevância histórica no cenário eleitoral brasileiro, Minas Gerais ainda não possui um palanque claramente definido para os principais nomes que despontam na disputa presidencial de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontados como protagonistas da corrida ao Planalto, seguem observando a movimentação política no estado enquanto aliados buscam construir candidaturas competitivas para o governo mineiro.
Com mais de 16 milhões de eleitores, Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país e costuma ser tratado como um verdadeiro laboratório político do Brasil. Não apenas pelo tamanho de seu eleitorado, mas pela diversidade regional que reúne características econômicas, sociais e culturais semelhantes às encontradas em diferentes partes do território nacional.
O Norte de Minas guarda semelhanças com o Nordeste; o Triângulo Mineiro possui forte ligação com o agronegócio do Centro-Oeste; a Região Metropolitana de Belo Horizonte concentra um eleitorado urbano e industrial; enquanto o Sul de Minas apresenta perfil econômico e político próximo ao interior paulista.
Essa pluralidade ajuda a explicar um dado que chama atenção. Entre 1945 e 2022, Minas Gerais acertou o vencedor da eleição presidencial em 12 das 13 disputas realizadas no país, um índice superior a 90%. O único presidente eleito sem vencer no estado foi Getúlio Vargas, em 1950.
Não por acaso, a disputa pelo apoio mineiro já movimenta os bastidores políticos mesmo antes da oficialização das candidaturas.
Minas Gerais e os principais nomes para 2026
No campo da esquerda, alguns nomes aparecem como potenciais aliados de Lula para a construção de um palanque estadual. A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), é apontada como pré-candidata ao Senado, embora também seja citada como possível concorrente ao Palácio Tiradentes.
Outro nome relevante é o do deputado federal Reginaldo Lopes (PT), um dos principais articuladores petistas em Minas Gerais e frequentemente lembrado nas discussões sobre a estratégia eleitoral do partido no estado.
Mas as especulações não se limitam aos quadros tradicionais da esquerda. O pré-candidato do MDB ao governo mineiro, Gabriel Azevedo, surge como uma alternativa que poderia atrair o apoio de Lula e de setores aliados em uma eventual composição política.
Também aparece nas conversas de bastidores o deputado federal André Janones (REDE). Apesar da proximidade com Lula e da atuação destacada na estratégia digital da campanha presidencial de 2022, Janones construiu uma trajetória própria e é visto como uma possibilidade tanto para compor quanto para liderar um eventual palanque governista em Minas.
Na direita, o cenário também permanece aberto. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) desponta como um dos nomes mais competitivos para a disputa pelo governo estadual e é considerado peça importante para fortalecer uma eventual candidatura presidencial apoiada pelo bolsonarismo. O parlamentar já recebeu elogios públicos de Flávio Bolsonaro, que reconheceu sua influência junto ao eleitorado mineiro.
Outro nome citado nos bastidores é o do empresário Flávio Roscoe (PL), ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Com trânsito entre lideranças empresariais e políticas, Roscoe é visto por setores da direita como uma alternativa capaz de ampliar o diálogo para além da base mais ideológica do bolsonarismo.
Há ainda a situação do atual governador Mateus Simões (PSD), que busca consolidar-se como herdeiro político de Romeu Zema em Minas Gerais. Com Zema (Novo) cada vez mais mencionado como possível candidato à Presidência da República, Simões tenta transformar a visibilidade da administração estadual em capital político para manter o grupo no comando do estado.
No fim das contas, Minas continua exercendo o papel que desempenha há décadas na política brasileira: o de espelho do país. Se o eleitor mineiro frequentemente antecipa o sentimento nacional nas urnas, conquistar Minas não garante vitória. Ignorá-la, porém, pode representar um risco alto demais para quem pretende chegar ao Palácio do Planalto.



