Por: Raffael Vasconcellos
No início desta semana, muitos eleitores fiéis ao grupo político de Jair Bolsonaro se surpreenderam com a decisão do PL e de Eduardo Bolsonaro de oficializar a pré-candidatura do deputado e presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado, ao Senado Federal. Com duas vagas em disputa, o primeiro candidato — e, inclusive, o que já está mais consolidado nas pesquisas — é o deputado federal e ex-secretário estadual de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP).
O que causou surpresa — e arrisco dizer, até indignação das alas mais bolsonaristas — foi a escolha de André em meio a vários nomes muito mais empenhados ideologicamente com o ex-presidente Bolsonaro, como o próprio Ricardo Salles e o vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo, o “queridinho” do ex-presidente. Quando paramos para analisar a trajetória política de André do Prado, vemos mais um dos tantos políticos tradicionais que se moldam de acordo com quem está no poder. Em 2018, por exemplo, Prado apoiou Márcio França ao governo do estado, contra João Doria (leia-se “BolsoDoria”). França hoje é pré-candidato ao Senado pelo campo da esquerda e foi ministro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante quase todo o seu terceiro mandato.
E o que surpreende ainda mais dentro de toda essa conjuntura é o fato de Eduardo Bolsonaro, o filho mais “intempestivo” e “ideológico” da família, chancelar essa candidatura “apenas” para ter a vaga de 1º suplente nas mãos, mesmo tendo se autoexilado nos Estados Unidos a fim de fugir das “garras” de Alexandre de Moraes. Salles, a quem citei lá atrás, que estava se postulando ao Senado pelo NOVO e até pontuando bem nas pesquisas (ou pelo menos melhor que André do Prado), se revoltou.
A revolta de Ricardo Salles
O deputado e, vale salientar, ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, partiu para o combate contra Valdemar Costa Neto, Eduardo Bolsonaro e cia., e declarou que “André do Prado é um nome do Centrão e apoiador da esquerda nas horas vagas”, além de relembrar os escândalos nos quais o presidente do PL se envolveu até o pescoço, como o Mensalão, pelo qual, inclusive, Costa Neto foi condenado e preso. Ricardo declara que só abre mão de sua pré-candidatura se Mello Araújo for o candidato no lugar de André.
O ringue está armado
Os principais beneficiados com essa disputa e essa desorganização interna? A esquerda e o presidente Lula, que vê Simone Tebet, Marina Silva e Márcio França se consolidando cada vez mais nas pesquisas. Um desses três não será candidato, mas pode ter certeza de que a decisão será muito mais conciliatória do que foi no PL. E, falando de uma maneira técnica, isso não nos surpreende, nem nunca vai surpreender…



