Por: Rodolfo Dias Pinto
A disputa pelo Governo de Mato Grosso do Sul caminha, neste momento, para um cenário de ampla vantagem do atual governador Eduardo Riedel, filiado ao PP e apoiado por uma grande aliança partidária, incluindo setores ligados ao bolsonarismo e ao PL.
Em um estado historicamente conservador e majoritariamente alinhado à direita, a tendência é de que Riedel chegue muito fortalecido à eleição de 2026, inclusive com possibilidade real de vitória ainda no primeiro turno.
Apesar de Luiz Inácio Lula da Silva ter alcançado cerca de 40% dos votos no estado em 2022, esse desempenho não costuma se repetir nas eleições estaduais, onde candidatos identificados com a esquerda enfrentam dificuldades para avançar ao segundo turno.
Oposição tenta romper hegemonia de Riedel
Entre os principais adversários aparece João Henrique Catan, atualmente no NOVO, após deixar o PL em busca de consolidar uma candidatura mais ideológica e alinhada ao eleitorado bolsonarista.
Embora tente ocupar o espaço da direita mais radical e oposicionista ao governo estadual, sua candidatura ainda enfrenta dificuldades para crescer nas pesquisas e romper a hegemonia política construída por Riedel.
Já pelo PT, o nome mais competitivo é Fábio Trad, integrante de uma das famílias mais tradicionais da política sul-mato-grossense e irmão do senador Nelsinho Trad.
Mesmo assim, a forte polarização ideológica no estado acaba favorecendo Riedel em praticamente todos os cenários de segundo turno.
Caso a disputa final aconteça entre Riedel e Catan, a tendência é que parte significativa do eleitorado petista migre para o atual governador, visto como um nome mais moderado e institucional.
Em um eventual segundo turno entre Riedel e Fábio Trad, o movimento seria semelhante entre os eleitores mais conservadores, que tenderiam a apoiar Riedel para impedir uma vitória do PT.
Esse comportamento demonstra que, embora a polarização nacional influencie o ambiente político estadual, o eleitor sul-mato-grossense costuma priorizar perfis considerados mais centristas e de ampla articulação política quando se trata da disputa pelo Executivo estadual.
Senado deve ter forte influência do bolsonarismo
Na corrida pelo Senado, o cenário também promete forte influência do bolsonarismo. O PL trabalha para conquistar as duas vagas em disputa, tendo como principal nome o ex-governador Reinaldo Azambuja, cuja candidatura já recebeu apoio da direção nacional do partido.
A segunda vaga do campo da direita é disputada entre Capitão Contar e Marcos Pollon, ambos ligados ao bolsonarismo.
Do outro lado, Nelsinho Trad aparece como um nome competitivo por conta de sua forte aprovação em Campo Grande, especialmente pelo legado de suas gestões como prefeito da capital.
Já o PT aposta novamente em Vander Loubet, enquanto Soraya Thronicke enfrenta dificuldades após perder apoio tanto entre bolsonaristas quanto entre eleitores de esquerda.
Nesse contexto, uma possível migração do segundo voto petista para Nelsinho Trad pode acabar sendo decisiva para impedir que o PL conquiste as duas cadeiras ao Senado.




Excelente análise!