O que até pouco tempo parecia uma aliança sólida para as eleições de 2026 entre o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e a cúpula do PL, incluindo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, agora dá claros sinais de ruptura.
Ibaneis, reeleito no primeiro turno em 2022, já afirmou publicamente que pretende renunciar ao cargo até abril de 2026 para disputar uma das vagas ao Senado Federal. Com sua saída, quem assumiria o governo seria a vice-governadora Celina Leão (PP), que trabalharia para renovar seu mandato nas eleições de outubro.
Aliança MDB, PP e PL começa a ruir

A expectativa inicial era de que a chapa majoritária no Distrito Federal fosse composta por MDB, PP e um terceiro nome do PL. Nesse desenho, crescia a possibilidade de Michelle Bolsonaro concorrer à segunda vaga ao Senado, formando uma aliança robusta entre Ibaneis e o bolsonarismo local.
No entanto, esse cenário começou a desmoronar quando o PL, em evento com a presença de Michelle Bolsonaro e de filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, lançou oficialmente a pré-candidatura da deputada federal Bia Kicis ao Senado pelo Distrito Federal.
PL pode lançar duas candidaturas ao Senado no DF
A ruptura ganhou ainda mais força após declaração do senador Rogério Marinho (PL-RN), um dos principais articuladores do partido no país. Segundo ele, é provável que o PL lance dois nomes ao Senado no DF em 2026: Bia Kicis e Michelle Bolsonaro.
Caso essa estratégia se confirme, o movimento representaria um afastamento direto do grupo político de Ibaneis Rocha, encerrando de vez a possibilidade de uma aliança ampla entre MDB, PP e PL.
Além de Ibaneis, outro nome diretamente afetado por essa reconfiguração é o senador Izalci Lucas (PL-DF). Com duas possíveis candidaturas fortes dentro do partido, Izalci perderia espaço na legenda, o que já alimenta especulações sobre uma eventual saída do PL para tentar a reeleição por outra sigla.
Por que o PL está se afastando de Ibaneis?
O distanciamento do PL em relação ao governador pode ser analisado sob duas perspectivas principais:
- Desgaste político de Ibaneis, especialmente diante de rumores e investigações envolvendo o escândalo do Banco Master, que ainda repercute nos bastidores.
- Cálculo eleitoral, aproveitando a forte popularidade do bolsonarismo no Distrito Federal para tentar eleger dois senadores do PL em 2026, algo raro e politicamente estratégico.
Corrida pelo Governo do Distrito Federal já começou
No campo da disputa pelo Governo do Distrito Federal, além da vice-governadora Celina Leão (PP), outros nomes já se colocaram no tabuleiro:
- José Roberto Arruda (PSD), ex-governador, recém-filiado ao partido;
- Leandro Grass (PT), derrotado por Ibaneis em 2022;
- Ricardo Cappelli (PSB), que também surge como opção no campo progressista.
O cenário indica que a eleição de 2026 no Distrito Federal tende a ser uma das mais fragmentadas e disputadas dos últimos anos, tanto para o Executivo quanto para o Senado.



